Abade António Pinto de Outeiro – Solenizar os 150 anos após o seu falecimento

António Pinto de Outeiro, natural do Porto, veio para Fânzeres em 1863 como Abade, após a morte do anterior reitor, Agostinho Ferreira Barbosa. Ao assumir funções, verificou-se que a residência paroquial estava há muitos anos desabitada e em más condições, sendo necessário proceder à sua remodelação.

Foi provavelmente nessa casa remodelada que o Abade Pinto de Outeiro hospedou o escritor Júlio Dinis, bem como o seu amigo Augusto Luso. Júlio Dinis faz referência ao abade numa carta dirigida ao amigo Passos, descrevendo-o de forma irónica como um padre conservador, preocupado com questões práticas do quotidiano, como problemas de saúde, política e a criação de porcos, além de lhe pedir pequenos favores materiais.

Apesar da imagem conservadora traçada por Júlio Dinis, os registos feitos por Pinto de Outeiro revelam uma visão social significativa, sobretudo no que diz respeito às mulheres: todas aparecem identificadas com uma profissão ou ocupação. Mesmo quando não exerciam trabalho remunerado, eram descritas como responsáveis pelo governo da casa, o que evidencia um reconhecimento do seu papel ativo na sociedade local.

O Abade Pinto Outeiro viveu no Portugal oitocentista, num meio rural/paroquial (Fânzeres), onde a Igreja desempenhava um papel central na organização social, administrativa e moral da comunidade. A figura do abade não é apenas religiosa: é também uma autoridade local, ligada à Junta, à gestão de bens e à vida quotidiana da freguesia.

Faleceu em Fânzeres em 6 de fevereiro de 1876 e encontra-se sepultado no cemitério de Fânzeres, que ele remodelou, onde ainda hoje se pode ver o portão de ferro original.

Na acta da Junta de Freguesia de 6 de agosto de 1876, consta que deixara em testamento o legado de 500 mil reis para a construção de uma casa de escola, antiga Escola do Paço e futura Casa da Cultura. (texto baseado na Monografia de Fânzeres)

150 anos depois da sua morte a Junta de Freguesia em conjunto com a Paróquia de Fânzeres relembrará solenemente esta data.

Serão levadas a cabo iniciativas ao longo do ano, tendo início no dia 6 de fevereiro (sexta-feira), data da sua morte. No dia 8 de fevereiro (domingo) às 9h00, realizar-se-á uma missa solene na Igreja Paroquial de Fânzeres, seguida de romagem ao cemitério para deposição de coroa de flores na sua sepultura.

Outras iniciativas ocorrerão até fevereiro de 2027, promovidas pela Junta de Freguesia e pela Paróquia de Fânzeres.

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