Inaugurada exposição que assinala os 80 anos da Greve dos Mineiros de São Pedro da Cova

Foi inaugurada, a 27 de fevereiro, no Museu Mineiro de São Pedro da Cova, a exposição evocativa dos 80 anos da histórica greve dos Mineiros de São Pedro da Cova, um dos momentos mais marcantes da memória coletiva da comunidade mineira e da história social do país.

A 27 de fevereiro de 1946, pelas sete horas da manhã, os operários escalados para o turno do interior recusaram-se a descer à mina. Às 7h20, a ocorrência era comunicada pelo Diretor Técnico, Engenheiro Augusto Farinas de Almeida, com base na informação do Chefe de Serviços, Engenheiro Neftali da Costa Fonseca. Dos 439 trabalhadores previstos, apenas 102 compareceram. A recusa manteve-se também no turno das 16 horas.

A justificação foi tão simples quanto dramática: tinham fome e, por isso, não podiam trabalhar.

Seguiram-se detenções, interrogatórios e a tentativa de identificar responsáveis por um gesto que foi, na sua essência, coletivo. Os relatórios da Polícia Internacional e de Defesa do Estado, hoje preservados no Arquivo Nacional Torre do Tombo, registam números, nomes e datas. Contudo, não conseguem traduzir o ambiente vivido naquela manhã: o medo, a tensão, a presença da Guarda Republicana, soldados armados e metralhadoras apontadas a homens cujo único “crime” era exigir condições mínimas de sobrevivência.

A exposição agora inaugurada devolve rosto e identidade a esses homens. Nas janelas expositivas surgem nomes de mineiros, enchedores e trabalhadores, muitos acompanhados por fotografia. Nos casos em que a imagem não chegou até nós, optou-se pela silhueta, símbolo da ausência, mas também da presença invisível de tantos que a história quase apagou. Recordar estes nomes é restituir-lhes o lugar que lhes pertence na memória coletiva.

A cerimónia contou com a presença do Presidente Adjunto da Federação das Coletividades do Concelho de Gondomar, Antonio Pereira dos Santos, da Presidente da Junta de Freguesia de Fânzeres e São Pedro da Cova, Dra. Sofia Martins, e da Vereadora do Turismo da Câmara Municipal de Gondomar, Dra. Aurora Vieira que sublinharam a importância de preservar e valorizar a memória histórica como parte integrante da identidade do concelho e da região.

Durante a sessão foi dirigido um agradecimento ao Professor Doutor Paulo Batista, Diretor do Arquivo Nacional Torre do Tombo, pela autorização para a partilha dos documentos históricos, disponíveis através de QR code na exposição e na folha de sala.

Foi ainda expressado um especial reconhecimento à Universidade Sénior da Junta de Freguesia de Fânzeres e São Pedro da Cova, na disciplina de Cénicas Urbanas, pela encenação apresentada, construída a partir da história real dos mineiros presos na sequência desta greve.

A sessão terminou com a leitura de excertos do testemunho de Joaquim dos Santos, conhecido por “Capelas”, evocando na primeira pessoa a dureza dos acontecimentos e reforçando a dimensão humana de um episódio que ultrapassa o plano local.

Ao assinalar os 80 anos da greve, o Museu reafirma que a história dos mineiros de São Pedro da Cova não pertence apenas a esta terra, pertence à memória maior do país.

Visite-a até 22 de maio!

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