As Minas, a Salamandra e o Investigador
O Museu Mineiro de São Pedro da Cova inaugura no próximo 6 de março a exposição “As Minas, a Salamandra e o Investigador”, patente ao público até 6 de maio.
Esta mostra propõe uma viagem envolvente pela história geológica das Serras do Porto, pelo legado mineiro de São Pedro da Cova e de Valongo e pela fascinante descoberta científica da salamandra-dourada.
Das profundezas do Paleozoico às minas romanas
A exposição começa há cerca de 500 milhões de anos, quando os mares cobriam a região atualmente integrada no Anticlinal de Valongo, estrutura geológica de referência no noroeste da Península Ibérica. Fósseis de trilobites e vestígios vegetais revelam a riqueza da vida marinha e terrestre do Paleozoico, assim como os processos geológicos que moldaram a paisagem.
Destaca-se também o impressionante complexo mineiro romano de Valongo, considerado o maior do Império Romano, com mais de 15 km de galerias e poços dedicados à exploração de ouro. Séculos mais tarde, a exploração de carvão em São Pedro da Cova (1793–1972) transformaria profundamente a economia e a vida social da região: herança hoje preservada pelo Museu Mineiro.
A salamandra-dourada: um mistério científico
Símbolo do Parque das Serras do Porto, a Chioglossa lusitanica é um anfíbio endémico do noroeste da Península Ibérica, classificado como “Vulnerável”.
Descrita em 1864 por José Vicente Barbosa du Bocage, a espécie manteve durante décadas muitos aspetos da sua biologia por desvendar, incluindo o seu modo de reprodução, cujos ovos apenas foram identificados em 1962 nas minas de Valongo.
O investigador
Na década de 1970, o biólogo holandês Jan Willem Arntzen iniciou estudos pioneiros sobre a ecologia e distribuição da salamandra-dourada nas Serras de Valongo. O seu trabalho marcou o início de uma nova fase no conhecimento científico da espécie, impulsionando investigações posteriores nas áreas da genética, biogeografia e conservação.
A exposição integra fotografias históricas, excertos de publicações científicas, testemunhos e documentação que revelam não apenas a história natural da espécie, mas também o lado humano da investigação científica.
O olhar contemporâneo: as fotografias de Daniel Santos
A exposição integra ainda fotografias do fotógrafo e biólogo Daniel Santos, autor do livro Salamandra Dourada.
Durante mais de um ano, o autor percorreu as Serras do Porto para captar imagens únicas da salamandra-lusitânica no seu habitat natural, incluindo antigas minas romanas que constituem alguns dos seus mais importantes locais de reprodução conhecidos
Uma oportunidade única para compreender como a geologia moldou a paisagem, como a mineração marcou a identidade local e como a ciência continua a revelar os segredos de uma das espécies mais emblemáticas do país.
6 de março a 6 de maio
Museu Mineiro de São Pedro da Cova
Venha descobrir esta história onde natureza, indústria e investigação científica se cruzam no coração das Serras do Porto.