A Quinta de Montezelo constitui um conjunto patrimonial de particular interesse histórico e arquitetónico, localizado no lugar de Montezelo. O conjunto integra o Solar de Montezelo, dois blocos de habitação, a Capela de Nossa Senhora da Conceição e uma magnólia, encontrando-se classificado como Imóvel de Interesse Público (IIP) pelo Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro.
A construção do Solar remonta ao século XVII, mais precisamente a 1636, sendo atribuída a sua iniciativa a Pedro Álvares da Figueira. Em 1669, a propriedade passou para a família Rangel, cuja presença ficou ligada à história da quinta e à construção da capela.
O acesso ao Solar faz-se através de um portão de pedra, de linhas simples e sóbrias, rematado pelo brasão da família Rangel. A entrada conduz a um pátio que dá acesso ao edifício principal, de planta retangular e dois pisos, caracterizado pela simplicidade da fachada, pelo beiral e pela escadaria central.
Junto ao Solar encontra-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição, edificada em 1703, por iniciativa dos proprietários da quinta, Teresa Maria de Araújo Rangel e Agostinho de Araújo Aranha. Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, apresenta uma arquitetura de influência barroca, marcada pela simplicidade e reduzida dimensão.
A fachada da capela apresenta um frontão triangular, enquadrado por pilastras, um pequeno óculo oval e, no remate, um campanário. Integrada na fachada encontra-se ainda uma das cruzes pertencentes à primitiva Via Sacra de Montezelo, constituindo um testemunho de uma antiga prática devocional associada ao lugar.
O interior, de nave única, conserva elementos de relevante interesse artístico e histórico. Destaca-se o altar de talha policromada, onde se encontra a imagem primitiva de Nossa Senhora da Conceição, ladeada pelas imagens do Senhor dos Passos e de São João. Conservam-se igualmente objetos relacionados com o culto, nomeadamente um cálice e antigos paramentos.
O pavimento em ardósia conserva túmulos de antigos proprietários e familiares da quinta. Entre as personalidades aí sepultadas encontra-se Joaquim de Araújo Rangel, poeta e signatário da Convenção de Évora-Monte, acrescentando ao conjunto uma importante dimensão histórica e memorial.
A classificação como Imóvel de Interesse Público, através do Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro, reconhece o valor patrimonial do conjunto da Quinta de Montezelo, abrangendo não apenas o Solar e a Capela de Nossa Senhora da Conceição, mas também os dois blocos de habitação e a magnólia que integram o imóvel classificado.
Pela sua arquitetura, elementos heráldicos e devocionais, testemunhos funerários e relação com a história das famílias proprietárias, a Quinta de Montezelo constitui um importante testemunho da história e da arquitetura de Fânzeres, preservando diferentes dimensões da vivência residencial, religiosa e social associadas à antiga propriedade.
Atualmente, o Solar de Montezelo mantém uma utilização ligada à realização de eventos sociais e empresariais, permanecendo a capela integrada no conjunto patrimonial da quinta.




